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Oswaldo Aranha e a partilha da Palestina

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Oswaldo Aranha e a partilha da Palestina.

A criação do Estado de Israel teve como papel de destaque o diplomata Osvaldo Aranha (1894 – 1960). Ele foi uma peça importante na criação do atual Estado de Israel.

A região pertenceu ao Império Turco Otomano, até que após a Primeira Guerra passou para o domínio Britânico.

Após a Segunda Guerra, houve uma comoção muito grande para que os judeus tivessem uma pátria, em virtude do Holocausto. Alguns lugares foram sugeridos para a criação de um Estado judeu, inclusive na África. Porém os judeus optaram que sua pátria fosse na Palestina.

O governo Britânico se declarando incapaz de resolver a questão, deixou a cargo da recém criada Organização das Nações Unidas (ONU) decidir o que seria feito com a Palestina.

Em 1947 o governo o brasileiro nomeou Osvaldo Aranha como Chefe da Delegação Brasileira junto a ONU. Ele foi eleito Presidente da Assembleia Geral da ONU, que iria decidir a questão da partilha da Palestina.

Duas propostas foram apresentadas: A primeira era a partilha da Palestina, criando um estado judeu e outro árabe-palestino. A segunda, proposta pelos países árabes, era da independência imediata da Palestina, já que 70% da população era formada por árabes.

No 25 de novembro de 1947, houve uma votação a favor da partilha da Palestina e a liberação da migração de judeus para a região. O resultado dessa votação seria recomendado para a Assembleia Geral da ONU. O resultado foi de 25 votos a favor, 13 contra e 17 abstenções.

A votação na Assembleia Geral iria acontecer no dia 25 de novembro de 1947, e para ser aprovada eram necessários dois terços dos votos, o que pelas intenções dos votos não iria acontecer. Foi então que os sionistas fizeram uma manobra que mudaria completamente o rumo da história. Sabendo que não obteriam os dois terços necessários, a intenção era ocupar a tribuna fazendo discursos o maior tempo possível para que a votação atrasasse. Aproveitando a ocasião, Osvaldo Aranha tomou uma atitude fundamental para a criação do Estado Judeu. Suspendeu a Assembleia, alegando que não haveria mais tempo para a votação, mesmo que os delegados árabes retirassem os seus nomes da lista de oradores, com isso, ganhou tempo para convencer os países a votarem a favor da partilha.

Começou uma corrida contra o tempo nos bastidores. Os sionistas trabalharam para conseguir os votos que faltavam para a aprovação. O apoio dos países da América Latina era imprescindível. Já os árabes trabalhavam para que a votação fosse iniciada o mais breve possível.

O argentino chamado Moshe Tox teve um papel importante para convencer os países da América Latina. A pressão feita era tanta que foram dados casacos de vison para as esposas dos delegados latino-americanos, e até talões de cheques em brancos.

Devido ao feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos não houve sessão e por causa de um adiamento 24 horas  que foi aceito por Oswaldo Aranha. Só no dia 29 de novembro de 1947, Osvaldo Aranha abre a sessão e após alguns discursos começa a votação. Os países foram chamados por ordem alfabética e os votos iam se alternando entre sim e não. Mas a vitória sionista já estava evidente. No final Oswaldo Aranha declara: 33 votos a favor, 13 contra, 10 abstenções e 1 ausência.

Votaram a favor: África do Sul, Austrália, Bélgica, Bolívia, Brasil, Bielorússia, Canadá, Checoslováquia, Costa Rica, Dinamarca, Equador, Estados Unidos, Filipinas, França, Guatemala, Haiti, Holanda, Islândia, Libéria, Luxemburgo, Nicarágua, Noruega, Nova Zelândia, Panamá, Paraguai, Peru, Polônia, República Dominicana, Suécia, Ucrânia, União Soviética, Uruguai e Venezuela.

Votaram contra: Afeganistão, Arábia Saudita, Cuba, Egito, Grécia, Iêmen, Índia, Irã, Iraque, Líbano, Paquistão, Síria e Turquia.

Abstenções: Argentina, Chile, China, Colômbia, El Salvador, Etiópia, Honduras, Iugoslávia, México e Reino Unido.

Ausência: Tailândia.

Osvaldo Aranha foi reconhecido pelo povo judeu como um dos articuladores para criação do Estado de Israel. Em sua homenagem há uma rua em Tel Aviv, capital de Israel, que leva o seu nome. A Grã-Bretanha deveria retirou-se da Palestina no dia 14 de maio de 1948.

No dia 15 de maio de 1948 nascia o Estado de Israel, e começava o drama dos palestinos, como veremos nos próximos artigos.

Luiz Felipe Schervenski Pereira
Luiz Felipe Schervenski Pereira (Mestre em Educação e Doutor em História)

 

 

 

 

 

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